A equipe feminina do Quilombo Mussuca, de Laranjeiras, conquistou o título da 2ª Copa Sergipana Quilombola de Futebol na última terça-feira, 13, ao vencer o Quilombo Mocambo, de Porto da Folha, por 3 a 2. A decisão foi realizada no Estádio Editon Oliveira da Silva, em Nossa Senhora da Glória, e foi marcada pelo equilíbrio entre duas equipes tradicionais da competição. Com a vitória, o Mussuca garantiu a vaga de Sergipe na Copa Nacional Quilombola de Futebol, que será realizada de 17 a 20 de dezembro, em Recife (PE).
Promovida pelo Governo de Sergipe, por meio das secretarias de Estado do Esporte e Lazer (Seel) e da Assistência Social, Inclusão e Cidadania (Seasic), a Copa Quilombola integra a programação da 2ª Copa Serigy de Futebol Amador e amplia a participação das comunidades quilombolas no esporte sergipano.
A decisão reuniu duas equipes com trajetória na competição. Em 2024, o Mocambo representou Sergipe na Copa Nacional Quilombola na categoria feminina. Neste ano, as duas comunidades voltaram a se encontrar em uma final disputada, com o Mussuca levando a melhor por uma diferença de apenas um gol.
O secretário de Estado do Esporte e Lazer, Flávio de Oliveira, ressaltou a importância da competição para o futebol sergipano e para a continuidade do desenvolvimento esportivo nas comunidades quilombolas. “A Copa Quilombola demonstra a força do futebol como espaço de participação e oportunidade. A final feminina foi marcada por uma disputa de alto nível, e a classificação do Mussuca para a etapa nacional é resultado do trabalho das atletas e da equipe. Nosso objetivo é seguir ampliando o acesso às competições e criando condições para que mais talentos sergipanos possam se desenvolver no esporte”, declarou.
Para as atletas campeãs, o resultado representa o reconhecimento do esforço necessário para chegar à decisão e a oportunidade de levar o nome da comunidade a uma competição nacional. “Estou muito feliz com essa vitória. A gente quase não conseguiu participar, mas lutamos muito e conseguimos. Representamos cada pessoa do nosso quilombo e hoje somos campeãs. É uma felicidade enorme”, afirmou a jogadora do Mussuca, Laryssa Souza.
O técnico da equipe vencedora, Hercílio dos Santos, também destacou o nível da partida e a qualidade do adversário. “Nossas adversárias eram fortes, sabíamos que seria um jogo difícil. A equipe do Mussuca está bem representada, as meninas lutaram até o fim e conseguiram essa vitória. Agora é continuar trabalhando para chegar bem à competição nacional”, declarou.
Direito ao esporte
Além da disputa pelo título, a final chamou a atenção para a presença das mulheres quilombolas no futebol e para a importância de ampliar as oportunidades de participação feminina no esporte. A realização de competições como a Copa Quilombola permite que atletas de comunidades tradicionais ocupem espaços esportivos e tenham a oportunidade de representar seus territórios em torneios estaduais e nacionais.
Nazaré Acácio, representante do Quilombo Mocambo, de Porto da Folha, ressaltou a importância da participação das mulheres, especialmente diante das dificuldades históricas de acesso a direitos e oportunidades. “É de grande relevância, porque sabemos que para a mulher é mais difícil. Muitos direitos já nos foram negados, e ocupar esse espaço é muito importante. O Mocambo foi a primeira comunidade quilombola reconhecida no estado, e precisamos continuar avançando. Lugar de mulher é onde ela quiser. A mulher tem que estar no esporte”, afirmou.
A participação das equipes também evidencia que o acesso ao esporte competitivo exige condições para que as atletas consigam treinar, se deslocar e participar dos campeonatos. Nesse contexto, a continuidade da competição contribui para ampliar a visibilidade das comunidades quilombolas e criar novas oportunidades para jogadoras que encontram no futebol um espaço de desenvolvimento esportivo e participação social.
Inclusão e oportunidades
A secretária de Estado da Assistência Social, Inclusão e Cidadania, Érica Mitidieri, destaca que iniciativas como a Copa Quilombola contribuem para ampliar a participação das comunidades tradicionais nas políticas públicas e fortalecer a promoção da igualdade de oportunidades. “A Copa Quilombola é uma oportunidade de ampliar a participação das comunidades tradicionais, reconhecer seus talentos e fortalecer o acesso ao esporte. Valorizar essas comunidades também significa trabalhar para que mulheres e homens tenham oportunidades reais de participação, desenvolvimento e reconhecimento”, afirmou Érica.




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