Araguaína registrou crescimento no número de vacas ordenhadas e na produção de leite, avançando novamente no ranking estadual, de acordo com a pesquisa da Pecuária Municipal 2025, divulgada recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2023, os produtores rurais do município somavam 12.052 vacas ordenhadas. Dois anos depois, em 2025, o número saltou para 14.540 cabeças, um aumento de 20%. Com isso, a cidade subiu do 10º para o 5º lugar no ranking estadual.
A cidade, que por décadas liderou o ranking de maior bacia leiteira do Tocantins, havia sofrido queda nos índices devido ao fechamento dos laticínios locais, em meio a mudanças na pecuária regional e no mercado desse tipo de indústria nos últimos 20 anos.
Recentemente, a Prefeitura iniciou ações para retomar essa atividade econômica, e os resultados positivos já aparecem. Para o pecuarista Fernando Martins Vilmar, um dos fatores que contribuíram para esse resultado foi o investimento em inseminação artificial por meio do programa Mais Pecuária Brasil, parceria da Prefeitura de Araguaína com a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). A iniciativa começou em 2023 e concluiu mais de 800 protocolos de inseminação.
“Eu estava com 18 vacas de leite, chegou a 22 cabeças e meu objetivo é ter 25 matrizes. Esse programa também foi bom demais em termos de melhoramento genético. Eu tive a cria de 10 bezerras e vejo que as características são boas para leite. A tendência é segurar elas para melhorar a quantidade de leite, sem precisar de mais pasto”, explicou Fernando.
Melhoramento genético para o futuro
Atualmente, o pecuarista produz de 100 a 120 litros de leite por dia. No município, a produção anual chegou a quase 12 milhões de litros em 2025. Em comparação com o início do programa, em 2023, o crescimento foi de 17% em dois anos. O resultado fez Araguaína subir do 9º para o 6º lugar entre os maiores produtores de leite do Tocantins.
“Agora estamos vendo o aumento em relação às vacas que estão parindo e produzindo leite. Veremos o verdadeiro desenvolvimento quando as bezerras nascidas com melhor genética também estiverem no ciclo de reprodução e lactação. Mais do que isso, também estamos orientando sobre o manejo e implementando a estrutura para incentivar o produtor rural”, explicou Mário Vitória, agrônomo e diretor de Agricultura de Araguaína.
Estrutura para a indústria local
Entre as ações para retomar a bacia leiteira no município está o Laticínio Municipal de Araguaína, que entrou em operação no fim do ano passado, sob concessão do Feliz Laticínios. A iniciativa reduz a distância percorrida pelo leite, que antes era vendido a empresas de cidades próximas, contribuindo para melhorar as condições de comercialização por litro.
A medida também pode contribuir para aumentar a produção, uma vez que boa parte dos produtores vende para garrafeiros, que não conseguem absorver todo o potencial produtivo.
“É todo um ciclo de mercado. Com isso, as empresas que produzem ração também podem aumentar as vendas, e quem vende grãos e outros insumos também sai ganhando. Sem contar a cidade, que passa a contar com leite e queijo frescos a preços mais acessíveis”, ressaltou o subsecretário do Desenvolvimento Econômico de Araguaína, Helter Dantas.
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