As apresentações do 34º Arraiá da Capital encantam o público com cerca de uma hora de música, dança e tradição. O que muitos não veem é que cada espetáculo é resultado de meses de planejamento e preparação. A escolha do tema, a criação das coreografias, a produção dos cenários e figurinos, os ensaios e a busca por recursos mobilizam dezenas de profissionais e voluntários para levar à arena um espetáculo que representa a cultura junina tocantinense.
Na quadrilha São João das Palmas, o planejamento para a temporada seguinte começa logo após o encerramento do ciclo junino. O presidente Adevan Rodrigues explica que, além da definição do enredo, a equipe passa boa parte do ano promovendo rifas, buscando patrocinadores e organizando ações para custear cenários, figurinos, transporte e demais despesas. Neste ano, o grupo apresenta o tema ‘Acorda Povo’, que chama a atenção para a valorização e o fortalecimento do movimento junino.
Depois da escolha do tema, diferentes equipes trabalham para transformar a ideia em espetáculo. O diretor coreográfico Diego Neves coordena os ensaios dos brincantes, enquanto o bailarino Jean Watina participa da construção das cenas que unem dança e teatro. Na quadrilha Cafundó do Brejo, o diretor cênico Juliano Gomes explica que todo o espetáculo é pensado como um conjunto, em que música, interpretação, coreografia e dramaturgia precisam estar perfeitamente integradas para garantir a compreensão da história e o bom desempenho da apresentação.
A produção dos cenários também exige planejamento e precisão. Na São João das Palmas, Alex Pica-pau coordena uma equipe de cerca de 15 pessoas responsável pela construção das estruturas cenográficas. Embora a fabricação das peças possa levar vários meses, a montagem precisa ser realizada em poucos minutos antes da entrada da quadrilha na arena, exigindo organização, agilidade e capacidade de improviso diante de qualquer imprevisto.
Equipes de apoio
Os bastidores também contam com profissionais e voluntários que dão suporte aos integrantes. Na Cafundó do Brejo, Cleudismar Souza Pinto da Silva, a Tia Preta, acompanha a quadrilha há 16 anos. Durante todo o ano ela auxilia nas necessidades da equipe e, nos dias de apresentação, presta apoio aos brincantes, ajuda nos ajustes dos figurinos, distribui água e oferece assistência sempre que necessário para que todos estejam preparados para entrar em cena.
Para quem participa das quadrilhas, o Arraiá da Capital representa muito mais do que uma competição. É o resultado de meses de dedicação coletiva, criatividade e compromisso com a cultura popular. Cada apresentação reúne o trabalho de diretores, coreógrafos, cenógrafos, artistas, equipes de apoio e voluntários que, nos bastidores, transformam planejamento e esforço em um espetáculo que fortalece e preserva a tradição junina em Palmas.
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