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Desmentindo

Viúva desmente agentes de imigração de Portugal por morte do marido

Ihor Homeniuk teria morrido após ser agredido violentamente por agentes do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras de Portugal

19/11/2020 09h53
Por: Ana Carolina Ramirez
(Foto: HPP)
(Foto: HPP)

família do cidadão ucraniano, que morreu nas instalações do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras no aeroporto de Lisboa, pede indenização ao Estado português de um milhão de euros (mais de 6 milhões de reais).

Oksana Homeniuk, mulher de Ihor Homeniuk, o cidadão ucraniano que morreu nas no Centro de Instalação Temporária, no aeroporto de Lisboa - contou, pela primeira vez, como soube que o marido tinha morrido em Portugal.

Numa entrevista à RTP, a ucraniana, professora e mãe dois filhos, explicou que a notícia de que o marido tinha morridofoi dada pelo cônsul da Ucrânia em Portugal, no dia 13 de março, três dias depois de Ihor ter chegado ao país.

"[O cônsul] contou-me que não foi permitida a entrada do meu marido em Portugal e que, quando ele ia ser deportado para a Ucrânia, sentiu-se mal entrando no avião. Foram chamados os médicos e, quando chegaram, já não o conseguiram reanimar, já estava em parada cardiorespiratória. Ele morreu nas mãos dos médicos", detalhou a mulher, que vive em Novoiavorvsk, uma pequena cidade no oeste da Ucrânia.

 

De acordo com OksanaIhor veio a Portugal para se encontrar com um conhecido para "saber informações de como encontrar um trabalho". O combinado, recordou a viúva, era que ficaria dois ou três dias no país e que e depois regressaria à Ucrânia.

Ihor tinha-lhe dito que ligaria quando chegasse a Lisboa, mas nunca chegou a receber a ligação. A primeira informação que Oksanateve sobre o marido foi de um amigo de Ihor, que ia o receber no aeroporto, que lhe disse que ele tinha ficado detido no SEFe que ia ser deportado.

Destacando que ninguém lhe contou que o marido tinha morrido nas instalações do SEFOksana explicou também que soube da "verdadeira forma" como Ihor tinha morrido através do Facebook e que, de seguida, ligou para o cônsul, que disse que ia verificar a veracidade da informação.

Garantindo que nunca foi contactada pelo Governo português ou por qualquer representante do país, a viúva teve ainda que juntar as suas poupanças e pedir ajuda aos amigos para realizar a transladação do corpo do marido e o funeral. Indignada, Oksanae a família querem uma indenização do Estado português.

"Eu queria ir a Portugal para olhar nos olhos das pessoas que fizeram isto e estar onde Ihor morreu", afirmou, acrescentando que se tiver dinheiro para a viagem irá a Portugal no final do julgamento dos acusados pelo homicídio do marido.

Em 30 de setembro, o Ministério Público acusou três agentes do SEF do homicídio qualificado de Ihor Homenyuk. Segundo o Ministério Público, as agressões cometidas pelos inspetores do SEF, que agiram em comunhão de esforços e intentos, provocaram a Ihor Homenyuk" diversas lesões traumáticas que foram causa direta" da sua morte. O caso da morte de Ihor Homenyukjá levou à demissão do diretor e do subdiretor de Fronteiras do aeroporto de Lisboa pela diretora do SEF, Cristina Gatões.

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