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Agricultura Paraná

Paraná e Israel assinam cooperação para intercâmbios de tecnologia e agroecologia

Iniciativa visa implantação de atividades voltadas ao desenvolvimento da agroecologia no Complexo Newton Freire Maia, em Pinhais, na RMC. A medida ...

20/10/2021 17h45
Por: Helder Peixoto Fonte: Secom Paraná
© Geraldo Bubniak/AEN
© Geraldo Bubniak/AEN

O Governo do Paraná e o Estado de Israel assinaram um protocolo de intenções para incentivar a troca de experiências e tecnologias em agroecologia. O vice-governador Darci Piana e o embaixador de Israel no Brasil, Daniel Zohar Zonshine, formalizaram o memorando nesta quarta-feira (20), no Palácio Iguaçu. Também assinaram o diretor-presidente da Invest Paraná, Eduardo Bekin, e o diretor-presidente da BRIL Chamber (Câmara Brasil Israel de Comércio e Indústria), Renato Ochman.

As ações da cooperação serão realizadas no Complexo Newton Freire Maia, localizado no município de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. A medida integra as iniciativas do projeto Escola Agrícola 4.0, que será implantado na propriedade, atendendo a proposta do governador Carlos Massa Ratinho Junior de tornar o local referência em ensino técnico agrícola sustentável, dando suporte às atividades do complexo.

A Escola Agrícola 4.0 funcionará como um laboratório de práticas que serão replicadas nos outros colégios agrícolas do Paraná. A unidade também sediará a futura “Feira Permanente de Tecnologia”, situada no Parque Natural do Iraí. No local, ainda estão instalados o Parque da Ciência, o Centro de Referência em Agroecologia e o Centro de Educação Profissional Newton Freire Maia, além da Represa do Iraí, um dos mananciais de abastecimento de Curitiba e região.

De acordo com o vice-governador Darci Piana, as tratativas entre o Paraná e o Estado de Israel tem a finalidade de consolidar laços. “A cooperação incentivará a interlocução entre empresas e cooperativas do Paraná e Israel, com o objetivo de promover negócios e atividades de pesquisa voltadas especialmente para o desenvolvimento de tecnologia agrícola”, disse Piana.

Segundo ele, conhecimento oriundo da união poderá ser incorporado nas disciplinas ministradas no ensino técnico agrícola ofertado pela rede pública.

Piana ainda reforçou que o Paraná já tem uma agricultura e tecnologia fortes, além de uma produtividade de destaque. “Mesmo com toda a expertise que o Estado já possui, é preciso a contribuição de novos acordos para melhorar ainda mais o que já produzimos e oferecemos para a população paranaense”, afirmou.

Segundo o embaixador Zohar Zonshine, o investimento em tecnologia na agricultura tronou-se indispensável para a produção mais eficiente nas mais diversas condições climáticas. “Temos muita base para essa cooperação, já que o número de habitantes do Paraná (11,08 milhões) e Israel (9,2 milhões) é semelhante, ambos possuem alto nível educacional e apresentam conhecimentos substanciais no cuidado e manejo dos recursos naturais”, afirmou o diplomata.

RELAÇÕES A BRIL-Chamber é uma entidade sem fins lucrativos e de utilidade pública que atua há mais de 60 anos na promoção das relações econômicas e comerciais entre Brasil e Israel. Considerando que o Paraná busca, cada vez mais, a adoção de tecnologias que aumentem a produtividade agrícola, as partes entendem que existe a possibilidade de desenvolver atividades conjuntas que contribuam para o aperfeiçoamento tecnológico, educacional e de negócios entre atores públicos e privados.

O Paraná prevê a criação de um ambiente de aprendizado em tecnologia agrícola, fontes de energia renováveis, uso sustentável da água e soluções para atividades agrícolas em pequenas áreas, como hortas urbanas, cultivo protegido e aquaponia (produção de peixes em estufas, em consórcio com hortaliças).

RECURSOS HÍDRICOS– O Complexo Newton Freire abriga a Represa do Iraí, uma importante fonte de abastecimento de água da RMC. Segundo o diretor-presidente da Invest Paraná, Eduardo Bekin, Israel carece de recursos hídricos e tem mais da metade do seu território coberta por desertos. Mesmo assim, além de garantir água para a sociedade, o País trabalhou para não deixar a escassez atrapalhar a produtividade das empresas.

“O Paraná poderá se beneficiar muito com as lições de Israel. O país será o primeiro a entrar no projeto, mas tenho certeza que outras nações vão se interessar em integrar esse grande planejamento de inovação em breve”, ressaltou Bekin. “Queremos transformar o Complexo Newton Freire Maia em um centro de tecnologia do agronegócio”, finalizou.

“Esse é um momento histórico para a nossa instituição. É um projeto desafiador, mas que certamente proverá frutos a curto, médio e longo prazo”, apontou o diretor-presidente da BRIL-Chamber, Renato Ochman.

ETAPAS– Dentro da cooperação estão previstas três fases. Na primeira, haverá a troca de informações, estudos e materiais entre o Centro Estadual de Ensino Profissional (CEEP) Newton Freire Maia e a Escola-Irmã em Israel. O Governo do Paraná também planeja projetos futuros que incluem outras readequações no espaço, como a instalação de painéis fotovoltaicos nos telhados, sistemas para o uso e reúso da água da chuva e instalação de novas estufas na área.

Em um segundo momento, será construída a Feira Permanente de Tecnologia, que abrangerá um showroom de tecnologia, com produtos e experiências inovadoras, onde empresas israelenses apresentarão seus produtos ao mercado brasileiro. A terceira fase prevê a instalação do Espaço Científico-Cultural, local para a prática de experimentos laboratoriais conjuntos, pesquisa de ponta e inovação agropecuária.

PRESENÇAS– Também participaram da solenidade o presidente da Sanepar, Cláudio Stabile; o diretor-geral da secretaria estadual da Educação e do Esporte, Vinícius Mendonça Neiva; o presidente da Comec, Gilson Santos; a assessora da Paraná Projetos, Tyeme Brando; o cônsul geral de Israel em São Paulo, Rafael Erdreich; o cônsul para Assuntos Econômicos do Israel Trade & Investment em São Paulo, Itzhak Reich; o chefe do Escritório de Representação do Ministério das Relações Exteriores no Paraná (Erepar), Igor Kipman; o vice-presidente da BRIL Chamber, Jack Magid; a diretora da BRIL Chamber, Cila Schulman; e o diretor da Bril Chamber no Paraná, Fabio Malina Losso.

De acordo com o vice-governador Darci Piana, as tratativas entre o Paraná e o Estado de Israel tem a finalidade de consolidar laços. Foto: Geraldo Bubniak/AEN

Projeto Escola Agrícola 4.0 visa a criação de um centro de treinamento de ponta

O projeto Escola Agrícola 4.0, do Governo do Estado, visa a criação de um centro de treinamento para agricultores, cooperativas, estudantes, investidores e população em geral, com oferta de cursos, palestras e seminários. Os treinamentos e qualificações serão nas áreas de inovação social na agropecuária, inclusão digital, empreendedorismo e gestão de negócios, engenharia genética, automação, agricultura de precisão, manejo de conservação de solo e água, gestão de resíduos, sanidade, insumos biológicos, integração lavoura-pecuária-floresta, manejo racional de agrotóxicos e fertilizantes, entre outros.

O secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, citou a necessidade de formar jovens capazes de acompanhar as mudanças constantes das tecnologias agrícolas. “Formar um jovem com visão e capacidade para absorver e compreender as novas tecnologias nas áreas de agroecologia, digitalização de processos, automação ou nova genética, por exemplo, é essencial para que possamos continuar fazendo mais e melhor, mas utilizando menos recursos. Esse é nosso desafio”, disse.

O projeto também pretende introduzir a inteligência artificial e demais tecnologias para incremento da produção no campo com a redução de geração de resíduos, de perdas e custos, de usos de implementos agrícolas poluentes, do desgaste do solo e de contaminações do curso da água. Ao mesmo tempo deverá promover o engajamento do produtor em sistemas de controle e monitoramento, o aumento da produção sem o aumento da área e a melhoria da qualidade dos produtos e da genética.

O centro terá espaço, ainda, para a efetivação de um Hub de Inovação, plataforma física de conexão entre novas startups, estudantes, investidores, empresas e usuários. O objetivo é desenvolver novos produtos e tecnologias, escaláveis para aplicação no mercado, facilitando oportunidades de negócios e concretizando criações de forma mais rápida e eficiente.

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