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Cultura Teatro

“Meu Corpo Está Aqui” emociona público em Palmas e amplia debate sobre afetividade, sexualidade e inclusão de pessoas com deficiência

Espetáculo premiado nacionalmente realizou duas apresentações gratuitas no Teatro Sesc Palmas, além de oficina de dramaturgia e ações formativas voltadas à acessibilidade cultural

13/10/2026 11h32 Atualizada há 7 horas atrás
Por: Helder Peixoto Fonte: Cinthia Abreu
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Muito além de uma apresentação teatral, um convite para enxergar, ouvir e reconhecer corpos, histórias e desejos que ainda enfrentam barreiras de representação na sociedade. Foi com essa proposta que o espetáculo “Meu Corpo Está Aqui” passou por Palmas, nos dias 10 e 11 de outubro, no Teatro Sesc, levando ao público tocantinense uma experiência artística marcada pela sensibilidade, pelo humor, pela emoção e por reflexões sobre afeto, sexualidade, autonomia e inclusão de pessoas com deficiência.

A circulação também promoveu atividades formativas na Universidade Federal do Tocantins (UFT), incluindo a oficina “Dramaturgia em Cena”, realizada nos dias 9 e 10 de outubro, e uma ação de sensibilização para a acessibilidade nos espaços culturais. A programação gratuita ampliou o alcance do projeto, reunindo apresentações artísticas, formação e intercâmbio de experiências com profissionais e artistas locais.

Vencedor dos prêmios FITA e APTR e indicado ao Prêmio Shell, o espetáculo tem texto e direção de Julia Spadaccini e Clara Kutner, direção de produção de Cláudia Marques e reúne no elenco quatro artistas com deficiência: Bruno Ramos, artista surdo usuário de Libras; Juliana Caldas, atriz com nanismo; Pedro Fernandes, ator com paralisia cerebral, com cognitivo preservado e usuário de cadeira de rodas; e Sara Bentes, artista cega.

A montagem parte das vivências pessoais dos próprios intérpretes para construir uma dramaturgia que mistura realidade e ficção. Em cena, histórias de relacionamentos, descobertas, desejos, frustrações e conquistas desafiam estereótipos e questionam a maneira como a sociedade enxerga os corpos das pessoas com deficiência, frequentemente associados à dependência, à invisibilidade ou à ausência de sexualidade.

Com uma linguagem que transita entre o humor, a delicadeza e a crítica social, a obra evidencia que o direito de amar, desejar, experimentar relações e fazer escolhas sobre o próprio corpo também precisa estar no centro dos debates sobre inclusão e cidadania.

que outras pessoas determinem o que podemos ou não viver”, afirmou Juliana.

As duas apresentações contaram com recursos de acessibilidade, incluindo interpretação em Libras e audiodescrição, garantindo condições de participação a diferentes públicos. Os ingressos foram disponibilizados gratuitamente mediante a doação de um quilo de alimento não perecível para o programa Mesa Brasil, do Sesc. Após a apresentação de domingo, 11 de outubro, a programação também contou com um bate-papo com integrantes da produção e convidados, fortalecendo o diálogo entre artistas e público sobre os temas abordados pela montagem.

Acessibilidade para além do palco

Outra atividade da programação foi a ação de sensibilização para acessibilidade nos espaços culturais, realizada no dia 10 de outubro, também na UFT, sob a condução do produtor Fabrício Polido, com participação da atriz Sara Bentes. O encontro foi direcionado a equipes de equipamentos culturais, profissionais e instituições interessadas em aprimorar suas práticas de acolhimento e atendimento às pessoas com deficiência.

Entre os temas trabalhados estiveram orientações sobre acessibilidade motora, adequação dos fluxos de circulação em espaços culturais, introdução ao vocabulário básico de Libras, atendimento a pessoas com deficiência visual e cuidados específicos no acolhimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A proposta foi contribuir para uma compreensão mais ampla da acessibilidade, demonstrando que a inclusão depende não apenas de adaptações arquitetônicas ou recursos tecnológicos, mas também de atitudes, capacitação das equipes e reconhecimento das diferentes necessidades dos públicos.

 

Circulação nacional fortalece a democratização da cultura

Com produção da Fábrica de Eventos, o espetáculo “Meu Corpo Está Aqui” é realizado com fomento da Fundação Nacional de Artes (Funarte), entidade vinculada ao Ministério da Cultura do Governo Federal. A iniciativa reafirma a importância do investimento público em projetos que promovem a democratização do acesso às artes, a circulação de produções nacionais e a valorização de narrativas historicamente invisibilizadas.

 

Sobre o espetáculo

“Meu Corpo Está Aqui” tem texto e direção de Julia Spadaccini e Clara Kutner e direção de produção de Cláudia Marques. O elenco é formado por Bruno Ramos, Juliana Caldas, Pedro Fernandes e Sara Bentes, com participação de Jadson Abraão como ator/intérprete de Libras. A montagem tem direção assistente de Michel Blois, figurino e cenografia de Beli Araujo, iluminação de Paulo Cesar Medeiros, direção de movimento de Laura Samy, música de Luciano Câmara e visagismo de Cora Marinho. A produção é da Fábrica de Eventos, com fomento da Funarte/Ministério da Cultura.

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